Quando te vi de frente,
não pude saber que a tua fronte fria
escondia tuas paredes quentes,
De mim,
que neste conflito,
entre o aquecido e o gelado,
não pude deixar de ter,
no fim,
o coração pasteurizado.
4.6.14
27.5.14
Temporal
Pensar no futuro é planejamento.
Em excesso, obsessão.
Pensar no presente é permissão.
Em excesso, ceticismo.
Pensar no passado é comparação.
Em excesso, prisão.
Pensar no passado, presente e futuro é viver.
Em excesso, amor.
20.5.14
Egogênese.
Desde a luz
De minha ponta-cabeça
No ventre.
Eu,
A improbabilidade da gênese,
humano de verdade,
Condição exclusiva do momento
Em que se nasce,
Ininteligível e irracional,
Completamente entregue à tua moral,
Que é ingênua,
Democrática e devastadora:
A falta de surpresa do surpreendente aguardado.
Filho pródigo da tua vontade
E amante de tuas tortuosidades.
Tu,
que não é homem.
Tu,
que não é mulher.
Mas que é os dois ao mesmo tempo,
E nesta condição não pode ser pai,
Nem mãe,
Mas de tu deriva a vida
E por isso sou tua cria.
Eu,
O primogênito depois de vocês.
Gerado e concebido
Pelo Acaso.
24.3.14
Autoeridade.
Ouça o coro distante!
Vozes que se esforçam
para serem ouvidas
pois o que têm a dizer é inaudito.
Ouves?
Não se organizam.
Todas possuem este mesmo desejo
já explicado
mas sequer podem pensar
em falar uma de cada vez
pois sua ânsia não
as permite.
Ouves estas vozes?
Uma ou outra palavra isolada
no meio do turbilhão urgente
de ideias dos que
clamam, imploram
e nenhum sucesso aparente
que nos faça comunicar claramente
com aqueles que desejam fazer-se ouvidos.
A gente percebe a angústia,
mas não adianta.
A cristalização do que achamos que somos
é a barreira quase intransponível
que nos ensurdece para nos comunicarmos
com aqueles que gostaríamos,
poderíamos, deveríamos e deixamos de ser.
As infinitas possibilidades do não ser
é que definem o que de fato estamos.
Vozes que se esforçam
para serem ouvidas
pois o que têm a dizer é inaudito.
Ouves?
Não se organizam.
Todas possuem este mesmo desejo
já explicado
mas sequer podem pensar
em falar uma de cada vez
pois sua ânsia não
as permite.
Ouves estas vozes?
Uma ou outra palavra isolada
no meio do turbilhão urgente
de ideias dos que
clamam, imploram
e nenhum sucesso aparente
que nos faça comunicar claramente
com aqueles que desejam fazer-se ouvidos.
A gente percebe a angústia,
mas não adianta.
A cristalização do que achamos que somos
é a barreira quase intransponível
que nos ensurdece para nos comunicarmos
com aqueles que gostaríamos,
poderíamos, deveríamos e deixamos de ser.
As infinitas possibilidades do não ser
é que definem o que de fato estamos.
14.3.14
Um microcosmo de vida em 26 estados.
Um rio, grande,
do norte ou do Sul,
ou pequeno,
não passa duas vezes no mesmo lugar,
não é, Heráclito?
O rio de janeiro não é o mesmo de fevereiro.
Você pode orar pra são Paulo,
pra santa Catarina,
pode até recorrer às instâncias superiores,
Espírito Santo, Filho ou pai.
Amém!
Não adianta: quem ama, ama parte.
Sempre há uma capa. Tudo é disfarce.
E mesmo que nos magoe às 16h00,
por conta desta parte falsa que existe até
na seriedade,
o outro ganhará as desculpas às 17h, às 18h00...
Dias desses foi comigo.
De fundo,
uma parte marrom do Niágara.
Na trilha, "Pernambucolismo", de Marisa Monte.
Para Nádia, após longa discussão inconveniente,
era importante ignorar minha presença e,
para isso, observava os carros que passavam à janela.
Não importava. Podia ser jipe ou fusca,
Dedicava-se ao seu trajeto com afinco.
A televisão no mudo.
O jogo do Flamengo reprisado e o corte da câmera
pegou o momento no qual fazia o mi, nas gerais, o trombonista.
O silêncio era um terror, ai! Mas o pior viria em seguida...
Aquela expressão tocante, instável no rosto alheio,
E uma vontade de me esconder num Mato Grosso, bem denso,
para que nunca mais ela me achasse.
Quantos acres ainda posso perder no coração para os seus acampamentos?
Entretanto, bastou que a sua primeira lágrima reprimida escorresse...
Alagou as artérias, átrios, ventrículos...
Afogou-me todo.
Procurei na amazon as quinquilharias para mostrar-lhe,
como que fingindo que não notei a tristeza rolando na maçã.
Ponderei o orgulho.
Se ararmos o engodo,
colhemos nesta seara o perdão.
do norte ou do Sul,
ou pequeno,
não passa duas vezes no mesmo lugar,
não é, Heráclito?
O rio de janeiro não é o mesmo de fevereiro.
Você pode orar pra são Paulo,
pra santa Catarina,
pode até recorrer às instâncias superiores,
Espírito Santo, Filho ou pai.
Amém!
Não adianta: quem ama, ama parte.
Sempre há uma capa. Tudo é disfarce.
E mesmo que nos magoe às 16h00,
por conta desta parte falsa que existe até
na seriedade,
o outro ganhará as desculpas às 17h, às 18h00...
Dias desses foi comigo.
De fundo,
uma parte marrom do Niágara.
Na trilha, "Pernambucolismo", de Marisa Monte.
Para Nádia, após longa discussão inconveniente,
era importante ignorar minha presença e,
para isso, observava os carros que passavam à janela.
Não importava. Podia ser jipe ou fusca,
Dedicava-se ao seu trajeto com afinco.
A televisão no mudo.
O jogo do Flamengo reprisado e o corte da câmera
pegou o momento no qual fazia o mi, nas gerais, o trombonista.
O silêncio era um terror, ai! Mas o pior viria em seguida...
Aquela expressão tocante, instável no rosto alheio,
E uma vontade de me esconder num Mato Grosso, bem denso,
para que nunca mais ela me achasse.
Quantos acres ainda posso perder no coração para os seus acampamentos?
Entretanto, bastou que a sua primeira lágrima reprimida escorresse...
Alagou as artérias, átrios, ventrículos...
Afogou-me todo.
Procurei na amazon as quinquilharias para mostrar-lhe,
como que fingindo que não notei a tristeza rolando na maçã.
Ponderei o orgulho.
Se ararmos o engodo,
colhemos nesta seara o perdão.
12.3.14
(In)Compreensão.
Queria verdadeiramente vos entender.
Não consigo.
Não entra na cabeça desse aqui
Essa busca desenfreada pela felicidade
Calcada na tentativa de alcançar
Algum tipo de plenitude, de constância,
Esteja ela atribuída ao que for.
Vocês querem a segurança de tudo.
Da propriedade, do amor, da vida...
Não compreendo vocês.
Não é possível que vós não tenhais compreendido que há um inaceitável desejo da inércia.
Felizes são aqueles que não buscam.
Pois, o não buscar não é ficar parado.
Mas caminhar como se pode.
É ir sempre pelo meio,
Quando a bifurcação aparece.
E nessa eterna tentativa do inalcançável, fico com a insegurança,
com a inconstância,
com o transitório.
A felicidade inexistente
Só é possível
Através da subversão do que é ser feliz.
12.2.14
Ciclo da vida.
A vida é engraçada.
Quando a gente nasce,
ela percebe a besteira que fez conosco e,
arrependida, decide tentar se redimir
nos dando quatro presentes.
Um para cada etapa que ela nos faz passar.
O primeiro, para a infância.
A esta, entregou a genuína alegria,
a felicidade original,
o desfrute sem culpa.
À adolescência, a verdadeira paixão.
A sensação de incondicionalidade,
o verter-se em Werther e apenas imaginar-nos
contemplados por inteiro com o outro.
A idade adulta recebe o mimo que,
talvez, seja o mais complexo e interessante:
O grande benefício da hipocrisia.
Pois apenas com ele é que se pode chegar ileso
à última etapa.
Aos idosos, a vida,
frustrada por tentar agradar-nos
e não obter sucesso,
carregando a culpa por ser ela o que é,
para nós,
concede-nos o último benefício:
livra-nos do martírio que ela nos causa,
mesmo tentando, com aquelas minúcias,
amenizá-los.
Entretanto, às vezes,
ela se equivoca,
e os presentes saem trocados,
repetidos,
faltando em algumas das épocas.
Nestes casos, mal sabe ela, coitada,
que é pelo que vale a pena viver.
Pela exceção.
Paixões adultas genuínas,
Alegria idosa verdadeira,
a hipocrisia infantil,
genial,
ou livrar-se do sofrer em quaisquer das outras três etapas.
Quando a gente nasce,
ela percebe a besteira que fez conosco e,
arrependida, decide tentar se redimir
nos dando quatro presentes.
Um para cada etapa que ela nos faz passar.
O primeiro, para a infância.
A esta, entregou a genuína alegria,
a felicidade original,
o desfrute sem culpa.
À adolescência, a verdadeira paixão.
A sensação de incondicionalidade,
o verter-se em Werther e apenas imaginar-nos
contemplados por inteiro com o outro.
A idade adulta recebe o mimo que,
talvez, seja o mais complexo e interessante:
O grande benefício da hipocrisia.
Pois apenas com ele é que se pode chegar ileso
à última etapa.
Aos idosos, a vida,
frustrada por tentar agradar-nos
e não obter sucesso,
carregando a culpa por ser ela o que é,
para nós,
concede-nos o último benefício:
livra-nos do martírio que ela nos causa,
mesmo tentando, com aquelas minúcias,
amenizá-los.
Entretanto, às vezes,
ela se equivoca,
e os presentes saem trocados,
repetidos,
faltando em algumas das épocas.
Nestes casos, mal sabe ela, coitada,
que é pelo que vale a pena viver.
Pela exceção.
Paixões adultas genuínas,
Alegria idosa verdadeira,
a hipocrisia infantil,
genial,
ou livrar-se do sofrer em quaisquer das outras três etapas.
3.2.14
Prescrição.
Para o fim do caminho
que se inicia com a paixão
versificada
e termina em um amor
prosaico,
Prozac.
31.1.14
O Erro do Errante.
Tenho em mim,
com uma prática intensa durante a vida,
um impulso nas escolhas
que geralmente me levam
a contrariar aquilo que me parece
mais confortável.
Quase sempre fujo do fácil,
da garantia ou do mais coerente.
É bom que se saiba: viver é triste.
Aceitar o ordinário é fugir do confronto
e querer para si a ilusão da felicidade quando,
na realidade, a alegria genuína
só vem acompanhada de tristeza,
como no exato segundo do reencontro,
no momento em que a saudade e o alívio
coexistem.
Omitir-se do normativo
é a possibilidade de se conhecer
do avesso.
com uma prática intensa durante a vida,
um impulso nas escolhas
que geralmente me levam
a contrariar aquilo que me parece
mais confortável.
Quase sempre fujo do fácil,
da garantia ou do mais coerente.
É bom que se saiba: viver é triste.
Aceitar o ordinário é fugir do confronto
e querer para si a ilusão da felicidade quando,
na realidade, a alegria genuína
só vem acompanhada de tristeza,
como no exato segundo do reencontro,
no momento em que a saudade e o alívio
coexistem.
Omitir-se do normativo
é a possibilidade de se conhecer
do avesso.
24.1.14
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