1.4.09

A partida de Constância.

Chegou certa vez com um lindo vestido negro,
Puro receio tecido por mãos ansiosas,
Dessas cuja mão-de-obra não equivale a de um trabalhador chinês.
- eu tenho duas dessas.

Não pude deixar de deparar no pingente de lascívia,
Que caía sobre o decote,
Esses, cuidadosamente forjados,
Por algum joalheiro ninfomaníaco.
- confesso, um grande amigo.

Encarei-a com um soslaio pseudo-sedutor,
Obtive a recompensa da resposta positiva.

Cortejei-a e ofereci um Whisky.
Ela, mulher vivida, perguntou-me em que casa.

Perdurou.
Milhares de noites de perversão casual,
Ménages com lindas damas,
Efemeridade foi a melhor delas.
- Confesso, conquistou-me.

Certa vez, ao acordar e tatear ao lado,
A falta dada consumou-se em pesar,
Bastando três quartos de segundo.

Os versos já não saíam,
As rimas já não estavam,
A poesia de viver ao lado dela,
Havia sido duramente criticada pela Ventura, velha ingrata.
Constância tinha ido embora.
-A moça do ménage me ligou no dia seguinte.
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